Feito é melhor do que perfeito

Por Evinis Talon
Veja os cursos com o prof. Evinis Talon: CLIQUE AQUI

Fonte: tradução, com adaptações, do seguinte texto (clique aqui)

A maioria dos perfeccionistas pensa que o perfeccionismo é uma coisa boa. Eles estão muito errados.

Você é perfeccionista? Se a resposta for sim… Você se orgulha disso?

Você pode pensar que não aceitar ser o segundo melhor faz parte das suas realizações pessoais. Acontece, no entanto, que o perfeccionismo não é algo para se orgulhar, nem mesmo humildemente, porque não há nada de bom nisso.

O perfeccionismo não faz você melhor em nada, de acordo com as pesquisas de Thomas Curran e Andrew P. Hill, na Universidade de Bath e York St John University, respectivamente. Curran e Hill fizeram uma revisão de estudos de 1989 a 2016, medindo taxas de perfeccionismo ao longo dos anos e seus efeitos sobre as pessoas.

Os resultados são perturbadores. Primeiro, eles descobriram que o perfeccionismo está associado a uma ampla gama de doenças mentais, incluindo depressão, ansiedade, anorexia, insônia e até ideias suicidas. Então eles descobriram que as taxas de perfeccionismo estão aumentando, especialmente entre os jovens e até mesmo as crianças. Uma psicóloga, especializada em distúrbios alimentares, ficou surpresa e consternada ao encontrar crianças mais novas (até os sete anos de idade) entre seus pacientes. Ela acredita que o perfeccionismo pode ser o culpado.

Não só isso: o perfeccionismo pode encurtar sua vida. Um estudo de 2009 descobriu que os perfeccionistas têm maiores chances de morrer nos próximos anos do que aqueles que não o são. Por outro lado, aqueles dotados de otimismo e extroversão tendem a viver mais do que a média.

Não, isso não faz você trabalhar melhor

Infelizmente, a maioria dos perfeccionistas é relutante em renunciar ao seu perfeccionismo. Em outras palavras, eles acreditam, por exemplo, que ser perfeccionista os torna melhores em seus empregos, melhores em manter uma casa impecável ou um peso perfeito – o que não é verdade.

Na realidade, em um experimento não muito agradável, Hill deu a alguns perfeccionistas e não perfeccionistas um objetivo a ser alcançado, mas não lhes disse que esse objetivo era, de fato, impossível. Todos trabalharam duro nele por um tempo, mas os perfeccionistas ficaram mais aborrecidos e desistiram mais cedo.

Em qualquer esforço, desde ganhar uma medalha olímpica até a execução de uma empresa bem-sucedida, a capacidade de perseverar, mesmo quando as coisas parecem difíceis, é um elemento-chave do sucesso, ponto no qual os perfeccionistas tendem a falhar. Longe de fazer você melhorar no seu trabalho, o perfeccionismo prejudica seu desempenho.

Dado todos esses resultados, é hora de deixarmos de nos orgulhar do nosso perfeccionismo. Na próxima vez que alguém admitir que é perfeccionista, tente dizer algo assim: “Oh, isso é horrível. Sinto muito. Você já procurou ajuda?”

Se você mesmo é um perfeccionista, é hora de começar a mudar isso. Comece com uma experiência: tente deixar de lado algumas das coisas que você “tem” que fazer. Por exemplo, se você acha que “precisa” trabalhar até tarde todas as noites, tente não fazê-lo por uma semana e veja o que acontece. Você pode realmente ficar para trás, caso em que talvez seu trabalho precise de algum ajuste ou talvez seja necessário delegar melhor algumas funções. Mas você também pode se surpreender ao achar que está fazendo seu trabalho melhor, porque um cérebro bem descansado funciona melhor do que um exausto.

E você pode achar, como fez a jornalista da BBC, Amanda Ruggeri, que deixar algumas dessas expectativas de si mesmo o faz sentir estranhamente livre.

Sobretudo, trabalhe em silenciar essa voz interna que o repreende e crítica cada vez que você não consegue cumprir seus padrões exigentes. Isso está te tornando infeliz e pior em seu trabalho. E pode acabar matando você.